Thursday, October 15, 2015

Desalinho constante


Hipocrisia a que passa pelos olhos 

Quando o apelo agoniza e
A resposta cala-se promiscua como fio da navalha.
Branda aos céus serenidade, 
Riso fel do sangue amargo que se esvai pela sarjeta.
Jazz ali um corpo, chora a "puta de la Madre" de um qualquer desamparado,
Cuja sorte foi ingrata e o castigo insano julgou a ferro e fogo o pão que o diabo amassou, 
Cessou naquela encruzilhada seus olhos negros de pele baça.
O soluço esmorece debruçado no silencio interior,
Questionando a vida, chora aos céus, rebela-se a fé, murmura aos santos, apela a DEUS, e vela seu mártir.
Ao seu redor nada mudou, apontam em riste anônimos juízos,
A culpa foi estar presente na hora errada, no local errado,
Onde o ir e vir das suas origens conspirou num destino fatídico.
Iluminam a tarde turva, alarmadas luzes mediáticas,
Refletindo a história que ninguém viu,
Com tarja alusivas transmitida num direto pitoresco, 
"Delinqüente, marginal abatido ", banalizado sem moral.
Uma voz se cala, sonhos cessam,
Culpado ou inocente, refém da dúbia suspeita ao juízo final.
Ninguém sabe, ninguém viu, nem fugiu, apenas sucumbiu
A desgraça impune que ronda os olhos vingativos atrás das grades.
Interpelam em pane convulsiva, dedos acusatórios, mãos serradas de ódio febril, dizeres de ordem que se escalam a toda sorte.
A mão tremula protege o seu rebento, do tempo que já não tem.
Da vida impedida, sobrará o espírito, onde a reza une e conforta
A certeza do descanso eterno nos braços do Pai.
Ninguém sabe, ninguém viu, angústia solitária envolvida em pranto, desiludida por tudo, dos que se recusaram perceber o que estava errado, dos que acusaram sem ver o alvo incerto, dos que viram e calaram com medo de agir ao um ser diferente, dos que ignoram o direito e julgaram se diferentes por sua classe e sua cor, e deixaram morrer toda esperança no coração daqueles que expectavam com fé a trajetória de mais um que lutava para contrariar estatísticas, banalizadas entre becos e vielas, onde a injustiça reina cega contra o mais fraco. 
Triste mãe, volta pra casa, sem rumo, sem abrigo, sem vida, cala o tempo e embriaga se em lágrimas, até que o opio de qualquer fé lhe ampare a dor, e todo aquele mundo hostil deixe de existir por instantes de seus pensamentos, até que as imagens de luta e de glorias daquela cria deixe de existir na sua alma, até que se apaguem todas as lembranças e verdades que acreditou, enquanto a justiça adormecida não tornar-se honesta para convence-lá a viver novamente.
Desalinho constante onde,"Tudo que se move é um alvo ...E ninguém tá salvo".





No comments: